segunda-feira, 6 de abril de 2009

DE FIGOS E OUTRAS DELÍCIAS

perdi a guerra
foi o massacre da serra
atravessei a linha vermelha
entrei na terra amarela
ciúme não perdoa
arranca a pele
e
deixei pra trás
minha paz
minha fome
meu nome
pisei na bola
caí de cara
enfiei os cornos
no vale da figueiras
e
meu eco berrou:
“não se esqueça do passado
dos vestidos e sapatos
das panelas e das facas
dos fingidos jogos de amor
das pedras das flores
das canções e letras"
não faça essa cara
de desagrado
sei
as leis são do maior rigor
o homem conduz
a mulher manda
e
essas expressões
de total indiferença
alguns
os chamam de chamego
outros
dizem ser destino
mas nós vivemos
íntimos desígnios
te chamava
de meu amor
você me respondia
você é meu
mas
não importa mais
verdades são mentiras
e
das verdades e mentiras
ninguém liga
pois então não se aflija
foste apenas mais uma
que passou pelo rio
da minha vida