Cada quadra de pelada será um novo castelo de deputado
As estradas batizadas de asfaltadas serão crateras de lama
Universidades lotadas de alunos tipo BE – A - BÁ
Habitantes pálidos e amedrontados ouvem embasbacados:
– Essa terra sem fim será engolida pelos lagos
Das grandes obras do PAC, sem peixes e plâncton
Antas, preguiças, ouriços e gambás
Invadirão moradias pra pastar lagosta e caviar
E as matas do Atlântico será uma floresta de arbustos
E as serras de Sampa a Campos um deserto careca
Sem nome nem bicho nem cabras gregas
E nos rios mares, navios com turistas
Navegarão pelo sertão roendo costelas de vacas
E lá bem no meio da Cactolândia surgirá a geleira do Mont Blanc
E em qualquer dia ao acordarem frescos e banhados
Verão que o mundo onde vivem é o mesmo
E um dia ou dois ou um milhão ou mais vamos engolir o ar
Que nos fará lembrar que o nosso carro está debaixo do mar
E um espécie da Idade do Gelo cobrira vales
Fazendo a barba do prados, perfeitos pra patinar
E poderão, garanto, viver assim, cantar e sorrir
Mas sempre tudo acaba derretendo
E plantas novas surgirão dos corações gelados,
Carnes de cabrito uma iguaria
E perfume da maresia coisa fina
E fogo branco das florestas congeladas
E olha a lebre correndo acima do nevoeiro
É tudo é o mesmo mundo,
Essa lamina de rocha
E esse riacho lavando a neve
Levando os seixos, arrastando a argila,
As areias, e tufos de grama verde
E campos floridos com enxames de abelhas
E como tudo acontece num pacote turístico
Milhões de gente em botes de borracha
Descerão as cataratas surgidas do sertão
Que deixou de ser mar
E se der tempo e com muita calma
Tomarão banho de mar na nova costa
Que vai do Rio até o Ceará
,
quarta-feira, 24 de junho de 2009
E TUDO SEMPRE È O MESMO
Postado por
Iosif Landau
às
19:30
Assinar:
Comment Feed (RSS)
|