domingo, 28 de junho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
E TUDO SEMPRE È O MESMO
Cada quadra de pelada será um novo castelo de deputado
As estradas batizadas de asfaltadas serão crateras de lama
Universidades lotadas de alunos tipo BE – A - BÁ
Habitantes pálidos e amedrontados ouvem embasbacados:
– Essa terra sem fim será engolida pelos lagos
Das grandes obras do PAC, sem peixes e plâncton
Antas, preguiças, ouriços e gambás
Invadirão moradias pra pastar lagosta e caviar
E as matas do Atlântico será uma floresta de arbustos
E as serras de Sampa a Campos um deserto careca
Sem nome nem bicho nem cabras gregas
E nos rios mares, navios com turistas
Navegarão pelo sertão roendo costelas de vacas
E lá bem no meio da Cactolândia surgirá a geleira do Mont Blanc
E em qualquer dia ao acordarem frescos e banhados
Verão que o mundo onde vivem é o mesmo
E um dia ou dois ou um milhão ou mais vamos engolir o ar
Que nos fará lembrar que o nosso carro está debaixo do mar
E um espécie da Idade do Gelo cobrira vales
Fazendo a barba do prados, perfeitos pra patinar
E poderão, garanto, viver assim, cantar e sorrir
Mas sempre tudo acaba derretendo
E plantas novas surgirão dos corações gelados,
Carnes de cabrito uma iguaria
E perfume da maresia coisa fina
E fogo branco das florestas congeladas
E olha a lebre correndo acima do nevoeiro
É tudo é o mesmo mundo,
Essa lamina de rocha
E esse riacho lavando a neve
Levando os seixos, arrastando a argila,
As areias, e tufos de grama verde
E campos floridos com enxames de abelhas
E como tudo acontece num pacote turístico
Milhões de gente em botes de borracha
Descerão as cataratas surgidas do sertão
Que deixou de ser mar
E se der tempo e com muita calma
Tomarão banho de mar na nova costa
Que vai do Rio até o Ceará
,
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Iosif Landau
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19:30
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domingo, 21 de junho de 2009
ESQUECER È O REMÈDIO
Já ouvi todas as queixas
Aturei todos os lamentos
Algumas dores de todos as odores
Do meu corpo fizeram uma talha
E sei sem hesitar que tudo que eu te fiz
Farei de novo sem hesitar
Mas acho que mentindo por amor
Nossa dor voltar ser um tapete de flor
E vou me lembrar do que vi na vendida
Aleijada avenida princesinha do que foi do mar
Do que ela foi falar pra ninguém pagar
Nem vomito nem risada
– fale amor não de ódio que no fim é a mesma mixórdia –
E passeando cansado de encarar as mesmas caras
Dou meu passeie vesperal a caminho do meu lar
Ás vezes satisfeito, muitas vezes de saco cheio
Mas ainda feliz de reconhecer todos os mendigos,
Putas e veados, ser xingado, escarrado e beijado
E parar educado, escroto e refinado
Pela dúzia de velhos brochas na esquina de Santa Clara
A contar a beleza e arte de chupar buceta imaginada
E eu, oh piedade! A acrescentar novos feitos nojentos
E depois de rir debochado me mandar apressado
A me lembrar que vinha melado de corpo e alma
Não fazia dez minutos da cama perfumada com sexo
Mai velho que a ultima cruzada
E fui andar com ar penitente feliz e satisfeito
E bastante deprimido e muito triste
Que te revi gorda e tesuda e gozei com tanto prazer
Entre o seu tufo um tremendo berro deixei
Coro de corneta de pelada em São Gonçalo
E continuando o caminho sedimentado de sêmen e cio
Eu vi Juscelino, Jango e Jânio deixando impresso
Na pintura do mais belo por de sol
– Afinal fomos todos fomos homens
O pecado foi parar, que tal refazer o trajeto
Ainda teria jeito? –
Passar por essa avenida eu não ligo
Vou e volto sem parar todos os dias
Com breve parada na cama dela
Só pra me lembrar
Que em algum tempo do passado nossa paixão
Teve tanta dor e nenhuma satisfação
Não pude te seguir nem você a a mim
Sabe quem eu sou
Viu o sol e me conheceu
Iluminei teu corpo com a luz imenso do amor
Te quis assim furiosa de tesão
Com e ódio e paixão
Santa a demônio ,
Escrava e serpente
Sabe muito bem o que sou
Habito o Lar Misterioso
Não há ninguém ali
Faz tanto tempo
E a manhã demora apontar
Sim , eu lhe digo: :
– você é muito linda ! –
Usei demais seu corpo
E agora olho, procuro,
E não te encontro
Estou solitário
Mas te vejo m todos os lugares, cantos
Fria e sem aquele carinho mormo matutino
Mas parece ser feliz por ter sido a primeira
A me ensinar como deve um homem fazer
Pra ouvir a mulher gemer de prazer
E eu percebi pelo seu olhar
E também pelo seu gentil sorrir
Que nossa noite será pouco vulgar
Pelo menos por algum tempo
Ninguém vai reclamar
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Iosif Landau
às
12:16
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terça-feira, 16 de junho de 2009
IRMÃ DA LUA
...acordei do jeito certo, feliz de ter alcançado aquele estágio onde a dor é insuportável na mente, na alma, no interior, ao redor em cada átomo do meu imperial Eu e dói tanto que dou até a outra face com prazer, mas saiba que ainda te amo , não me lembro o nome, o corpo , a cara e continuo a procurar – te em todos os rostos, me chamam de louco e sou, vivo só, feito pião a te procurar com a porta aberta esperando você entrar, o comércio fechou logo agora que o dinheiro sobrou e os campos de asfalto estão trancados a cadeado mesmo com a chuva e o sol brigando e o outono está começando e eu não entendo porque tudo parou se tudo continua igual ao meu redor e espero a rigor a sentença e sei que sou condenado a outros dez quilômetros de silêncio enquanto cada rosto que encaro não é igual ao seu e tantos passaram pela minha vida e outros ainda passarão e não tem como fugir por que nunca deixei de amar um rosto e um corpo que nunca vi, mas me lembro das vezes que me procurou e a todas abandonei, nunca deu certo e entendo porque, não me sinto culpado se todos sabem que há um Lei um Braço e Dois Lábios e meu coração é um calo e se a lua tem uma irmã você deve ser ela , mas não foi o que imaginei se há um Lei um Braço e Dois Lábios e vou sentir sua falta pra sempre, o negócio não foi jogo limpo, foi sujo e não peço desculpas , um homem como eu segue reto e rijo, obedece a quem ama, e isso é tudo que consigo dizer, em nada pequei e não por que me afastaram de você e cai como um boneco naquele amontoado onde não havia a Lei um Braço e Dois Lábios e dessa bagunça armada não sei por quem caminhei pra onde eu sabia e te encontraria esperando deitada sobre a mármore e a areia e chorei, Mãe estou assustado, o trovão e o relampao não conseguirei enfrentar sem ela me amar e eu a ouvi falar –estarei ao seu lado, meu xale te agasalhar, minha mão alisando sua cabeça – e a noite foi muito doce e eu implorei – que a noite nunca termine –, mas ela falou – volte de onde veio – ofereci – lhe meus livros, minhas armas, lembre – se menina, a noite sempre aparece calma, o que é um engano– e agora procuro por ela sempre perdido no desertou de mil nomes, amarrado a mil fiapos de rezas , indagando ao que manda – quando serei chamado de novo por ela, o que devo fazer quando ela aparecer suave debruçada como um ramo de oliva, como uma fonte límpida no ar de luz e a noite é calma e deitado no seu abraço murmuro – quando você se for serei sua canção de amor –
...e agora tudo está ameno como uma noite de primavera com cerejeiras e eu estou exausto e as cigarras cantam e eu vou até o Zig – Zag meu pé sujo se até ali consigo chegar pra contar a galera meu sonho de outono – primavera, sei que me perdoarão de imaginar tenta besteira, nunca ligam mesmo pras minha quimeras, me oferecem um copo de batida, mas eu quero atravessar a rua, quero ir pra casa, quero continuar a sonhar com a irmã da lua.
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Iosif Landau
às
12:48
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sexta-feira, 12 de junho de 2009
TEATRO
...como microscópico Ginsberg visto a fralda do gênio e repito “enquanto eu estiver por aqui (e não está mais) faço meu trabalho- é o que é esse trabalho? talvez aliviar a dor de ter nascido, tudo mais é um show de burra bebedeira”, sim senhor, e quem sou eu que já viveu mais do que esse homossexual genial poeta, não temeu criar o poema explicito e sensual numa noite ou tarde de amor carnal com seu amante Cassidy, nada de sim nem de não, é poema, é amor publicado com louvor, e como deixar de aplaudir:” I saw the best minds of my generation destroyed bymadness, starving hysterical naked,dragging themselves through the negro streets at dawn looking for an angry fix” e eu surgido das entranhas e vulvas judaicas – ciganas nascido de mente torta me arrastei no primeiro ato desse teatro boiando como um bobo numa nuvem rosada, voando imbecilizado acima do inferno de corpos chamuscados, inalando a fumaça dos crematórios, o delicia de churrasco e com que delicadeza alienada aterrissei belo, forte, intacto na banalidade infantil do azul celeste – mar esbanjando esperma com irritante facilidade por ruelas e avenidas pavimentadas com saliências morenas e redondas – é só encostar que a entrada é livre – e com angelical olhar fui engolido muito fácil pela maquina infernal noturna e animal, um dia sim um dia não, miscelânea antinatural, muito bom pouco mal , louco,rasga corpo, rasga roupa,rasga coração, esfregar sexualidade na pobreza e farrapos na sempre decadente Lapa, vendo anjos de corpo e mente avariados nos telhados imperiais ao som nos hinos supernaturais do Lamartine Babo e sem muita graça e alguma desgraça passar pela faculdade com olhar alucinado catar o diploma, entrar na guerra e perder batalhas sem nenhuma gloria ou mesmo tentar desnudar o crânio publicando obscenidades enfiado até a gola branca e gravata na espera da grana que se roubada ou branca não importa, tá tudo encaixotado num quarto mofado e jogado num cesto com lixo mais sujo que o resto da vida e correr pro puteiro tirar da miséria doces bucetas e voltar sujo por fora e limpo por dentro e no caminho parar prum trago suave de maconha batizada e achar o maior barato sonhar com qualquer uma delas e acordar do pesadelo de pau duro e colhões melados, mas tudo isso é conversa fiada, o caminho de casa passa pela Cinelãndia, sanduiche misto de putas e veados e você tá exausto cedo embarca pra Belém, desce o Tocantins se cagando de medo, de Marabá vai pelo ar até Carajás, dorme com a risada dos macacos é o cara que manda em mil homens e não tem pra onde se enfiar, deixa o dentista dar o rabo, bendita sodomia, aplaca minha covardia, num DC3 desconjuntado voa pra São Luis, dias seguidos no inferno, volta pro Rio com ulcera e pedra renal, toda semana se repete, tu é bom pra cacete, mas os outros são melhores, o dinheiro tem mil destinos e você perdeu o rumo, vá rezar em outra freguesia que aqui é quem canta de galo é um cara num escalão com escada pras Bermudas e tu volta pro teu ninho sem a galinha de ovos de ouro, a mente em fogo ilumina até a orla, o cemitério, o jogo Brasil x Paraguai e os sinais de transito daqui pro Uruguai, madrugadas, e vinho e alucina com os cara nos telhados imperiais, sol e lua e palmeiras flutuam na cerveja vomitada no bares da esquina, e o papo de horas seguidas é um saco, conversa sem principio meio e fim na Jangadeiros até a esquina e dali pra Rainha Elizabeth, travestis se metem a gente tolera tudo tem cabeça tronco e membros e lá vêm lembranças e piadas e coisas podres e fedidas como guerras, revoltas e mortes e aleijados nos hospitais e o silencio da solidão ilumina a noite com o brilhos de olhares sem esperança, querem mulher pra cariciar, comida, sonhar e já levou tempo demais e por que aqui o índio me olha, nada lhe fiz mal, talvez seja um anjo lá da Amazônia extasiado com os carros e os travestis emplumados e arrancado pelo Brucutu paraense vôo pela velha Copacabana, sem a duplicada avenida, sem hotéis de cem andares , pouso no Bolero pruma bacalhoada, na esquina da Republica do Peru um alô pras sombras embalsamados, amigos e desafetos bebendo do mesmo caneco e o índio Brucutu não quer muita conversa, é teu chapa, guarda sua costas de macho em todo e qualquer lugar de possível arruaça e como veio desaparece, te abandona no cemitério da praça entre esqueletos com cara de defunto e você corre com pernas bambas e tortas pro teu apartamento e se joga na poltrona e se ajeita, o relâmpago te soldou solido e pra sempre com a morte te acariciando que é o fim do teatro, a cortina desce, não há aplausos.
Postado por
Iosif Landau
às
18:25
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terça-feira, 2 de junho de 2009
TRAPOS
já passou das quatro tá escuro e molhado
sou um trapo sapato furada
e falei pro meu chapa recolhido nas calças:
“onde está o galã de cabelos ondulados
com seu toque de Apolo espalhando amores?”
pensei que sabia onde era o cemitério dos elefantes
pensei que ainda me imaginava ser o príncipe
de todas as madames me aguardando nos divãs
olho pro meu corpo agora
não há nada ali pra colocar no armário
a voz debochada do espelho chama:
“hei nobreza faça a barba tá com cara de babaca!
pega a navalha relíquia do passado
passa sem cuidado pela jugular e entalha
seria uma nobre e sangrenta parada”
não há água quente e o frio é de foder
e pra que reclamar se já sabe que tudo que te cerca
é podre e velho como você
ainda imagina ser luz de palco?
é apenas sua visão se escondendo dos bons tempos
cubra seu rosto de espuma seja Pai Noel
imagine os aplausos ao presentear o que não tem
e se olhe no espelho acompanhe o enterro
toma novo fôlego no seu rosto fúnebre
esqueça o caminho bucólico
a garota de cabelo louro no verão colhendo flores
que de tempo em tempo era sua mulher
e também houve tempos quando ela era criança
e você a abraçava nas sombras das orquídeas perfumadas
e subiam ao anoitecer verdes colinas
e você cantava tão belas melodias
e a cada passo que dava
amor te acompanhava
é difícil dolorosa a raiva do perdido
tenciona suas veias fecha os punhos
o sumiço é tudo que ficou
mas tudo bem
ainda consegue um emprego de catador de papel
sair da toca e ficar de conversa
e juntar – me a algum grupo tipo “Só Jesus Salva”
e aceitar a derrota achando que ainda há esperança
na teia louca dos sonhos disformes e sem cor
e gargalhar satisfeito sabendo que os trapos que veste
é a sua foto do presente
e viver assim é bom pra cacete
esperar o enterro não fere
é apenas pouco alegre
mas afinal pouco importa
as risadas foram tão pequenas
atenção: não sei se é adeus ou apenas até mais, sei que estou cansado, mal das pernas e solitário, peço desculpas aos amigos anônimos, reais, fingidos e tudos mais, lerei com prazer os textos habituais, escrever e comentar não prometo, fiquem em paz
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Postado por
Iosif Landau
às
11:04
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